Rio registra nível de 2,62 metros, mais de um metro abaixo da média esperada para o período; quase 23 mil pessoas são afetadas em 85 localidades
O rio Madeira apresenta um cenário de forte estiagem em Porto Velho. A redução do nível das águas fez surgir extensos bancos de areia e praias em trechos que normalmente permanecem cobertos pelo rio. Diante dos impactos, a Prefeitura de Porto Velho decretou situação de emergência, classificada como desastre de Nível II.
Segundo dados do SipamHidro, plataforma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o Madeira atingiu 2,62 metros na terça-feira (6). Para esta época do ano, a média esperada é de aproximadamente 3,9 metros, deixando o rio mais de um metro abaixo do nível considerado normal para o período.
A situação vem se agravando desde o início de outubro. No dia 1º, o rio ainda estava na faixa dos 3 metros, mas passou a apresentar redução contínua nos dias seguintes. Imagens feitas pela Defesa Civil Municipal mostram grandes áreas de areia ocupando o leito do Madeira.
Quase 23 mil pessoas são afetadas
O levantamento da Prefeitura aponta que 7.442 famílias, correspondentes a aproximadamente 22.962 pessoas, estão sendo afetadas pela estiagem em 85 localidades rurais, ribeirinhas e indígenas de Porto Velho. Entre os atingidos estão 517 moradores de cinco aldeias indígenas.
A estiagem atinge comunidades localizadas no Alto, Médio e Baixo Madeira. Muitas dessas localidades não contam com abastecimento de água encanada e dependem de poços artesianos, que também estão apresentando redução ou secamento.
Navegação também é prejudicada
A queda do nível do rio não afeta apenas o abastecimento. A navegação, fundamental para o deslocamento de moradores das comunidades ribeirinhas, também enfrenta dificuldades devido à formação de grandes bancos de areia e à redução da profundidade em determinados trechos.
Segundo a Defesa Civil Municipal, as comunidades localizadas nas áreas mais baixas do Madeira estão entre as mais prejudicadas pela dificuldade de acesso e pelas restrições provocadas pela seca.
El Niño é apontado como fator de agravamento
De acordo com a Defesa Civil Municipal, a estiagem é um fenômeno recorrente durante o chamado verão amazônico, período que normalmente ocorre entre julho e novembro. Neste ano, porém, as condições foram agravadas pela influência do fenômeno El Niño.
O diretor executivo da Superintendência Municipal de Proteção e Defesa Civil, Marcelo Duarte, afirmou que o município já vinha acompanhando os efeitos do fenômeno desde o início do ano e que ele contribuiu para intensificar o cenário de estiagem.
Decreto permite ações emergenciais
O Decreto Municipal nº 22.515, assinado em 1º de outubro, declarou situação de emergência nas áreas afetadas pela estiagem. A medida tem validade de 180 dias e permite ao município buscar apoio dos governos estadual e federal para reforçar as ações de resposta.
Entre as medidas previstas estão o fornecimento emergencial de água potável por caminhões-pipa e embarcações, distribuição de reservatórios, filtros e insumos para tratamento de água, além de apoio logístico para alcançar comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas.
A Prefeitura também deverá buscar recursos e apoio complementar para restabelecer condições de captação, tratamento e distribuição de água nas localidades atingidas.
Fonte: Prefeitura de Porto Velho, Defesa Civil Municipal, Sipam/Censipam e informações públicas sobre o Decreto Municipal nº 22.515/2026.





