O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos, iniciada em abril de 2026.
Com a pausa, o BC sinaliza preocupação com o rumo da inflação e com os riscos que ainda pesam sobre a economia brasileira.
Inflação acima do teto
O principal fator na decisão foi a pressão sobre os preços. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, acumulou alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto de tolerância da meta, que é de 4,5%.
As projeções do mercado também reforçam a cautela: analistas estimam que a inflação feche 2026 perto de 5,22%, longe do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional.
Contas públicas e cenário externo
A situação fiscal do governo federal também entrou no radar. Dúvidas sobre os gastos públicos e o cumprimento das metas fiscais aumentam a insegurança de investidores e podem pressionar o dólar e os preços no país.
No cenário internacional, conflitos em várias regiões seguem provocando instabilidade nos mercados e podem encarecer commodities como o petróleo, com impacto nos custos de produção e transporte. Os juros altos nas grandes economias do mundo também exigem prudência dos países emergentes.
Brasil volta ao topo dos juros reais
Com a Selic em 13,75%, o Brasil retoma a liderança no ranking mundial de juros reais — que descontam a inflação —, com taxa estimada em 8,45%, à frente da Rússia.
Para consumidores e empresas, a decisão significa crédito caro por mais tempo: empréstimos, financiamentos e compras parceladas continuam pesando no bolso, e as empresas seguem com custo maior para investir, expandir e contratar.
Com informações do Diário 360.










