Durante reunião mista no Senado do Paraguai nesta quinta-feira (5/11), a senadora Esperanza Martinez afirmou a necessidade de que as autoridades do país ajam com rapidez em uma eventual condenação do presidente Santiago, Peña, para evitar que ele fuja do país como “ocorreu com Bolsonaro”.

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Reunião realizada no Congresso do Paraguai com diversos partidos do país discutiam o pedido de impeachment contra o presidente do país. Penã entrou no radar de um processo para ser retirado do cargo após a crise desencadeada pelo Ueno Bank, instituição financeira digital que fechou as portas nesta semana.

“Que ele [Santiago Peña, presidente do Paraguai] seja formalmente acusado para que não saia do país e que seus bens sejam confiscados,  afinal, existe o risco de acontecer o mesmo que ocorreu com Bolsonaro — que, com ajuda internacional, acabe hoje em algum lugar onde a Justiça paraguaia não consiga encontrá-lo. É preciso ser rápido, é preciso ser certeiro, e o Ministério Público tem que parar de enrolar, pois já faz tempo que tem em mãos o pedido de acusação contra o Presidente da República e não tomou providências”, disse Martinez.

A mençã0 da senadora paraguaia se refere ao senador Flávio Bolsonaro (PL) que fugiu do Brasil na última semana após perder as eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar brasileiro deixou o país em uma rota entre a Argentina e o Equador, rumo aos Estados Unidos, onde está estabelecido desde então.

A partida de Flávio para outro país implicou em descumprimento de decisão judicial pelo senador, que havia sido impedido de deixar o Brasil após a suspeita de fuga apontada pela Polícia Federal (PF). O político é investigado em três processos diferentes conduzidos pela PF. Entre eles, por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A correlação com o caso de Flávio Bolsonaro voltou a ser mencionada mais tarde, durante votação na Câmara do Paraguai, que votou o pedido de impeachment de Santigo Peña. Com 78 votos a favor, a Casa Baixa aprovou o pedido de “julgamento político” contra o presidente paraguaio. O tema agora segue para o Senado Federal, onde precisa ser aprovado por dois terços da Casa.

Crise no Paraguai

Santiago Peña, por outro lado, é alvo de um pedido de impeachment no país devido ao seu envolvimento com o Banco. Economista de formação, o mandatário paraguaio foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa relacionada ao grupo controlador do banco.

O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou pelo fim do Ueno no dia 3 de novembro, por considerá-lo insolvente — quando uma instituição não consegue honrar seus compromissos financeiros. O Ministério Público do Paraguai solicitou ainda uma investigação criminal sobre o banco e pediu pela prisão de dois dirigentes da instituição.

As apurações do MP envolvem suspeitas relacionadas à gestão e a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador, o que teria comprometido o patrimônio do banco. Nesta quinta-feira, o órgão fiscalizador também acatou um  pedido de investigação sobre supostos crimes financeiros cometidos por Peña.

O presidente, contudo, antecipou ao avanço do seu pedido de impeachment e decidiu renunciar ao cargo. Agora cabe ao Congresso do país decidir se aceita ou não a renúncia de Santiago Peña, que deve apresentar o pedido formalmente ao legislativo do país.

A imprensa paraguaia, contudo, avalia que os parlamentares devem recusar a denúncia e seguir com o impeachment do presidente, para evitar que ele tenha forro privilegiado. No Paraguai, ao decidir renunciar a um cargo, o presidente tem direito ao cargo de senador vitalício e mantém direitos legislativos.

Fonte: Metrópoles