Um dos crimes mais misteriosos da história cultural italiana pode ganhar novos desdobramentos. A Justiça de Roma autorizou outra investigação sobre o assassinato de Pier Paolo Pasolini, cineasta e escritor que morreu aos 53 anos, em 1975. A decisão ocorre após a apresentação de informações que podem ajudar a esclarecer o que realmente aconteceu naquela noite.

O responsável por levar o caso novamente às autoridades foi o advogado Stefano Maccioni, que há 18 anos busca respostas sobre a morte do artista. Segundo o New York Times, ele apresentou um dossiê com novos elementos, incluindo a identificação de uma possível testemunha que nunca prestou depoimento.

Pasolini foi encontrado sem vida em 2 de novembro de 1975, em Ostia, região próxima a Roma. O corpo apresentava diversos ferimentos provocados por agressões. Pouco depois, Giuseppe Pelosi, então com 17 anos, confessou o assassinato e acabou condenado a nove anos de prisão.

A confissão, no entanto, não encerrou as dúvidas. Pelosi mudou seu relato diversas vezes e chegou a afirmar que não agiu sozinho. Em 2005, voltou atrás publicamente na versão apresentada à Justiça. Ele morreu em 2017, deixando perguntas sem resposta.

O caso também despertou suspeitas de envolvimento de organizações criminosas e grupos políticos extremistas, embora nenhuma dessas hipóteses tenha sido comprovada.

Esta não é a primeira tentativa de esclarecer o assassinato. Uma investigação anterior foi encerrada em 2015, e outros pedidos de Maccioni acabaram rejeitados. Desta vez, o advogado demonstrou cautela diante da decisão, mas espera que as novas diligências ajudem a solucionar um crime que intriga a Itália há mais de 50 anos.

Fonte: Metrópoles