A dor de uma mãe que se conecta ao sofrimento e ao luto de várias outras pessoas. Essa é a premissa de Vicentina Pede Desculpas, filme brasileiro que vem se destacando na temporada de 2026. O longa estreou no Festival de Cinema de Toronto, foi exibido no Festival do Rio e chegou aos cinemas na última quinta-feira (6/11), com uma história sobre uma mãe que decide pedir desculpas aos familiares das vítimas de um acidente de ônibus em que o filho dela dirigia o veículo.
Em entrevista ao Metrópoles, durante a première do filme no Festival do Rio, o diretor Gabriel Martins (Marte Um) revelou que a ideia para a produção surgiu da relação dele com o transporte público. Ao longo da vida, o cineasta passou muito tempo dentro de ônibus e começou a observar as conexões e desconexões que acontecem entre as pessoas.
“Eu queria falar de um luto pessoal, de uma de uma perda muito grande, pessoal, mas que ele passasse por um luto coletivo também”, explicou.
“Acho que eu como morador de uma grande cidade como Contagem e Belo Horizonte, peguei muito ônibus a minha vida toda e enxergando essa possibilidade de conexão e essa desconexão entre pessoas. Então, para mim, contar uma história que é sobre se conectar era muito importante e o que me motivava, pensar como a gente pode ainda achar empatia no outro”, destacou Gabriel.
Na trama, a vida de Vicentina (Rejane Faria) muda completamente após o filho se envolver em um acidente de trânsito. Wesley (Renato Novaes) era motorista de um ônibus que caiu de um viaduto em Belo Horizonte (MG), deixando dezenas de pessoas feridas. Em meio à investigação sobre as causas do acidente, Vicentina toma a decisão de pedir desculpas às famílias das vítimas.
História vai além do luto
Para Rejane Faria, protagonista do longa, a história aborda muito mais do que o luto da personagem e também trata de questões presentes no cotidiano. “Para além do luto, a gente toca em temáticas importantes e principalmente essa das relações humanas, que é o que a gente tem perdido com a velocidade das coisas que a gente tá vivendo”, afirma.

Embora tenha o luto como um dos pontos centrais, o filme também abre espaço para falar sobre esperança e reconstrução. Rejane avalia que na história, Vicentina encontra nas relações humanas uma possibilidade de seguir em frente, mesmo em meio a tristeza em perder o filho.
“A gente fala de fato sobre luto, sobre as dores de perder um filho, mas ao mesmo tempo a gente fala sobre esperança e sobre como as relações nos salvam. O filme fala disso, de relações humanas, de afetos, de encontros, de reencontros e de reconstrução de vida. Então, é tudo que a gente tá precisando”, completa.
Após exibição nos cinemas, Vicentina Pede Desculpas será lançado na Netflix no dia 20 de novembro.
Fonte: Metrópoles










