Azerbaijão e Armênia continuam em negociações enquanto o acordo de paz assinado pelos dois países no último ano, com a mediação dos Estados Unidos, não é ratificado. A informação foi divulgada pelo embaixador azeri no Brasil, Rashad Novruz, durante evento em Brasília realizado na quinta-feira (5/11).
De acordo com o diplomata, negociadores dos dois países têm discutido questões como delimitações de fronteiras, e a reabertura de rotas regionais interrompidas durante os anos de conflito.
Em conversa com o Metrópoles, Rashad Novruz apontou o atual momento como a “melhor janela” para uma paz definitiva na região do Cáucaso. Isso porque, explicou o embaixador, Azerbaijão e Armênia nunca mantiveram negociações tão próximas, com discussões e diálogos entre negociadores de ambos os países.
Com a ajuda do governo Donald Trump, Erevan e Baku chegaram a um acordo de paz em agosto de 2025. Com isso, as duas nações avançaram em discussões posteriores para encerrar, de forma definitiva, o conflito envolvendo o enclave de Nagorno-Karabakh (chamado por armênios que viviam na região de Artsakh)
Guerra de décadas
- Localizada no sul do Cáucaso, a região autônoma de Nagorno-Karabakh fica dentro do território do Azerbaijão, e é reconhecida pela ONU como parte integrante do país. Contudo, era historicamente povoada por armênios étnicos.
- O primeiro conflito em Artsakh, como também é conhecida a região, explodiu no fim da década de 1980. Um dos principais pontos que desencadearam a violência na área foi uma decisão do parlamento de Nagorno-Karabakh, que na época votou pela unificação da região ao território da Armênia.
- Em 1994, um cessar-fogo foi assinado com a mediação da Rússia. Os armênios étnicos da região se saíram vitoriosos, e ficaram com o controle de Nagorno-Karabakh.
- A segunda guerra de Nagorno-Karabakh começou em 2020, quando o governo do Azerbaijão lançou uma operação militar com o objetivo de recuperar seus territórios perdidos durante a década de 1990. Artsakh, porém, não foi totalmente retomada.
- Três anos depois, forças do Azerbaijão lançaram ofensiva surpresa em Artsakh, para conquistar o território antes ocupado por armênios étnicos.
- Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, o episódio fez com que mais de 100 mil armênios étnicos deixassem suas casas em Nagorno-Karabakh. Eles se abrigaram principalmente na Armênia.
Mas, apesar da assinatura, o texto do pacto ainda precisa ser ratificado pelo poder legislativo do Azerbaijão e Armênia.
Uma das principais barreiras têm sido uma exigência azeri, que pede uma mudança na Constituição da Armênia para excluir possíveis reivindicações contra a soberania e integridade territorial do Azerbaijão.
O primeiro-ministro armênia, Nikol Pashinyan, já se mostrou disposto a aceitar o pedido, mas trâmites burocráticos ainda impedem que o processo avance no Parlamento local.
Nesta semana, contudo, parlamentares armênios ratificaram um acordo para a criação de uma conexão que cortará a Armênia para ligar o Azerbaijão ao enclave azeri de Naquichevão — que está dentro do território armênio.
Fonte: Metrópoles










