O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia completa, neste domingo (1º/11), seis meses de aplicação provisória. Dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que, nos primeiros cinco meses de vigência, as exportações do agronegócio brasileiro para o bloco europeu cresceram 14,8% em valor na comparação com o mesmo período de 2025, atingindo US$ 12,21 bilhões.

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo entrou em vigor no dia 1º de maio. Entre o mês inicial e setembro de 2026, o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para os 27 países da União Europeia — volume 8,1% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior, quando foram embarcadas 16,42 milhões de toneladas.

Os resultados confirmam o avanço do agronegócio brasileiro na União Europeia, com alta tanto em valor quanto em volume, além da expansão do superávit comercial. O forte desempenho de múltiplos segmentos reforça o potencial de diversificação da pauta exportadora e consolida a presença dos produtos nacionais no mercado europeu.

Entre os segmentos com maior crescimento em valor, destacam-se:

  • Produtos apícolas (mel): alta de 367%;
  • Produtos oleaginosos (exceto soja): avanço de 161%;
  • Carnes: alta de 103,5% em valor e de 170% em volume (de 101 mil para 272 mil toneladas);
  • Outros produtos de origem animal: crescimento de 55,5%;
  • Complexo soja: aumento de 34,2% em valor;
  • Produtos florestais: alta de 23%;
  • Frutas (incluindo nozes e castanhas): avanço de 15%.

Apesar das altas expressivas em outros segmentos, o complexo soja manteve-se como o principal grupo pautado nas exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia. Dentro do setor, o destaque foi para a soja em grãos, cujas vendas cresceram 49% em valor e 35,1% em volume. Por sua vez, as exportações de farelo de soja avançaram 22,5% em valor e 10,6% em volume.


Benefícios do acordo UE-Mercosul

  • O acordo cria uma zona de livre comércio entre os blocos, facilitando o acesso de produtos brasileiros a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores na União Europeia.
  • Uma das medidas a serem implementadas é a eliminação gradual de impostos de importação sobre produtos agrícolas e industriais, o que pode baratear exportações brasileiras e aumentar a competitividade das empresas.
  • Setores do agronegócio, como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja e grãos, tendem a se beneficiar, pois enfrentarão menos barreiras para entrar no mercado europeu.
  • Ao dar mais previsibilidade às regras comerciais, o acordo pode estimular investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em infraestrutura, indústria e tecnologia.

Fonte: Metrópoles