O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do empresário e influenciador fitness Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. A manifestação foi divulgada nesta quarta-feira (28).

Cariani, que tem mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, responde ao processo em liberdade. Até o julgamento, ele é considerado inocente.

O MP-SP também pediu a condenação dos empresários Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes.

O que diz a acusação

Segundo os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), a Anidrol, empresa de produtos para laboratório da qual Cariani é sócio, teria simulado vendas de insumos químicos em ao menos 59 ocasiões.

De acordo com a denúncia, as notas fiscais eram emitidas em nome de empresas, incluindo grandes farmacêuticas e multinacionais, que nunca haviam feito os pedidos. Os produtos, na verdade, seriam desviados para laboratórios do tráfico, usados no refino e na "batização" de cocaína e crack. Pessoas usadas como laranjas fariam depósitos em dinheiro vivo para dar aparência de pagamento legal.

O esquema, segundo a investigação, teria funcionado entre 2014 e 2020.

Relação com policial civil

A acusação também aponta uma relação próxima entre Cariani e um policial civil que atuava justamente no controle e na fiscalização de produtos químicos usados no refino de drogas.

Em uma das mensagens citadas pelos promotores, de abril de 2019, Cariani teria respondido a uma pergunta do policial sobre uma substância dizendo que ela servia para aumentar o rendimento da cocaína.

Pena pode passar de 50 anos

Caso seja condenado por todos os crimes, a pena somada pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado, segundo cálculo de especialistas ouvidos pela imprensa. A conta considera um crime de associação para o tráfico, 59 de tráfico de insumos e outros 59 de lavagem de dinheiro.

Como o caso começou

Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada em dezembro de 2023, que mirou um esquema de desvio de produtos químicos de empresas licenciadas em São Paulo para a produção de drogas em larga escala.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa de Renato Cariani afirmou que o pedido do Ministério Público não é surpresa e que pretende demonstrar, com base nas provas reunidas ao longo do processo, que as acusações não procedem. Os advogados disseram ter convicção de que o julgamento terminará com a absolvição do influenciador.

O próprio Cariani já declarou publicamente ser inocente e afirma que ele e a sócia foram vítimas de uma quadrilha que usou a empresa sem o conhecimento deles.

A decisão agora cabe à Justiça de São Paulo.

Com informações do g1, InfoMoney, Terra e Gaeco/MP-SP.