O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (28) que não vai se envolver no caso da carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em que ele se apresentou como o "verdadeiro presidente eleito" do Brasil. Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no domingo (25).
Questionado por jornalistas, Trump confirmou que o governo americano autorizou a entrada do senador e da família no país, mas disse que não pretende se envolver. Na mesma resposta, voltou a levantar dúvidas sobre a eleição brasileira, chamando-a de "muito estranha", sem apresentar provas.
A carta de Flávio
Flávio divulgou a carta na quarta-feira, horas depois de desembarcar em Miami com a mulher e as duas filhas. No texto, de três páginas, o senador:
afirma, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral;
critica a prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF;
acusa o Supremo de perseguição;
agradece aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos EUA, Donald Trump, pelo apoio para deixar o país;
diz que vai liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior.
Cerca de meia hora depois da publicação, Flávio apagou a primeira versão e trocou a expressão "verdadeiro presidente eleito" por "líder do Brasil".
Sobre a prorrogação da votação, vale lembrar que as duas campanhas, tanto a de Flávio quanto a de Lula, haviam pedido mais tempo para que os eleitores conseguissem votar no domingo.
O resultado das urnas
Lula foi reeleito para o quarto mandato com cerca de 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio, que somou quase 59,8 milhões de votos. No domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, telefonou aos dois candidatos para confirmar o resultado.
A carta não tem efeito jurídico e não altera o resultado da eleição.
Reações
O PL, partido de Flávio, já havia reconhecido o resultado da eleição na segunda-feira (26), em nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Questionado sobre a carta, o partido disse que ainda não tinha um posicionamento.
Senadores do PL afirmaram que não sabiam da carta, mas saíram em defesa de Flávio. O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) chegou a chamá-lo de "exilado político".
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou Valdemar a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (29), após a viagem de Flávio aos Estados Unidos.
Com informações de O Globo, Agência Brasil, SBT News, O Povo e CartaCapital.










