O padre Ferdinando Mancílio disse neste sábado (31/10), em uma missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, que nem todos têm um “jatinho à disposição para fugir”.
“Você não tem um jatinho à disposição para fugir para onde quiser. Você tem que labutar para ter o pão na mesa de todo dia”, afirmou o padre, antes de defender uma Igreja mais próxima dos pobres e das pessoas em sofrimento.
A fala (veja no vídeo abaixo) foi interpretada nas redes sociais como uma referência à fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, embora o religioso não tenha citado o parlamentar.
Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27/10), dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e chegou a Miami no dia seguinte, acompanhado da esposa e das duas filhas.
A família atravessou a fronteira terrestre com a Argentina, onde embarcou em um jatinho que fez escala no Equador antes de seguir para os Estados Unidos.
O senador saiu do país apesar de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibia de deixar o Brasil e determinava a entrega dos passaportes. A decisão foi tomada em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades e havia afirmado que entregaria os documentos.
Na pregação, Mancílio também rejeitou a acusação de que seria comunista por defender os pobres e afirmou que sua orientação vem do Evangelho.
“‘Ah, esse padre tá voltando a falar de igreja dos pobres, ele é um comunista.’ Obrigado, viu, por sua conceituação para comigo, mas eu dispenso. Porque em primeiro lugar está o Evangelho”, disse.
O religioso afirmou que sua função no púlpito é anunciar o Reino de Deus e formar a consciência dos fiéis a partir dos ensinamentos de Jesus.
Segundo ele, o cristão que ignora a realidade dos pobres, dos humildes e de quem tem a dignidade ferida está distante do Evangelho. Mancílio também criticou quem prejudica outras pessoas para alcançar posições de destaque.
“E quantos estão querendo o primeiro lugar, e pisam nos outros, massacram os outros, ferem os outros… Para quê? Para estar em primeiro lugar”, declarou.
Fonte: Metrópoles










