O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) publicou nesta terça-feira (3/11), dia das eleições de meio de mandato no país, um alerta que ameaça rastrear, prender e processar qualquer pessoa que “votar ilegalmente”.

Em publicação na rede social X, a agência afirmou que vai localizar e responsabilizar quem descumprir as regras eleitorais.

“Se você votar ilegalmente, nós o encontraremos. Nós o rastrearemos, prenderemos e processaremos. Não haverá escapatória”, diz a mensagem.

O alerta foi divulgado em meio a preocupações com possíveis intimidações de eleitores durante a votação. Organizações de direitos civis recorreram à Justiça para contestar a atuação de agentes federais nas proximidades de locais de votação. O governo, por sua vez, afirmou que integrantes do ICE e do FBI não atuarão como fiscais eleitorais.

Ações do governo Trump sobre votos de “não cidadãos”

O governo de Donald Trump tem ampliado as iniciativas para investigar possíveis casos de votação ilegal por pessoas que não têm cidadania norte-americana. Embora a legislação federal proíba não cidadãos de votar em eleições federais, registros desse tipo de irregularidade são considerados raros.

Na segunda-feira (2/11), a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou um pedido do governo federal para que cerca de 20 mil cédulas eleitorais da Califórnia fossem separadas até que a cidadania dos eleitores pudesse ser verificada.

A administração Trump alegou que os nomes dessas pessoas constavam em uma lista de indivíduos que o governo considerava possivelmente não cidadãos. O pedido buscava impedir que as cédulas associadas a esses eleitores fossem contabilizadas antes da confirmação de sua situação migratória.

A Suprema Corte negou a solicitação em uma decisão sem assinatura e não apresentou justificativas detalhadas para a medida. Não houve registro de votos divergentes entre os ministros.

A tentativa do governo federal havia sido rejeitada anteriormente por um tribunal de primeira instância e por uma corte de apelações. Autoridades da Califórnia argumentaram que o governo não apresentou provas de que as pessoas incluídas na lista fossem, de fato, não cidadãos ou tivessem enviado votos.

Eleição de meio de mandato

Os locais de votação foram abertos nos 50 estados norte-americanos nesta terça, dando início às eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Vermont, no leste do país, foi o primeiro estado a iniciar a votação, às 7h15 (horário de Brasília). O Distrito de Columbia, onde fica a capital Washington, também participa do pleito.

As eleições definirão a composição da Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de cargos estaduais. Ao todo, estão em disputa 35 das 100 cadeiras do Senado, os 435 assentos da Câmara e 36 governos estaduais.

O pleito ocorre em meio a um período de desgaste da administração do presidente Donald Trump, marcado por questionamentos à condução do governo, pelo prolongamento da guerra contra o Irã e pela alta do custo de vida.

Mais de 58 milhões de eleitores registraram votos antecipados em todo o país, segundo levantamento da Universidade da Flórida. O número representa um aumento em relação ao total registrado nas eleições de meio de mandato de 2022.

Além das disputas por cargos, os eleitores também votam em propostas submetidas à consulta popular, conhecidas como ballot measures. Os temas variam de mudanças nas regras de administração eleitoral a questões relacionadas ao acesso ao aborto.

Fonte: Metrópoles