Comer 60 gramas de amendoim torrado sem sal por dia pode melhorar a resposta do cérebro à insulina em pessoas mais velhas. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Maastricht, na Holanda, e publicado na revista científica Food & Function em 30 de setembro.
A pesquisa acompanhou 31 adultos saudáveis, com idades entre 60 e 75 anos. Durante 16 semanas, os participantes consumiram duas porções de amendoim por dia. Os pesquisadores observaram uma melhora na resposta à insulina em regiões do hemisfério direito do cérebro relacionadas à memória, como o hipocampo e o giro do cíngulo posterior.
Qual é a relação entre insulina e cérebro?
A insulina é conhecida principalmente por controlar os níveis de açúcar no sangue, mas também participa do funcionamento cerebral. O hormônio ajuda as células nervosas a crescer, sobreviver e se comunicar, contribuindo para processos como a memória.
Com o envelhecimento, algumas regiões do cérebro podem responder menos à insulina. Essa redução na sensibilidade tem sido associada ao declínio cognitivo relacionado à idade.
“À medida que as pessoas envelhecem, o cérebro pode se tornar menos responsivo à insulina, o que tem sido associado ao declínio cognitivo relacionado à idade”, explica Peter Joris, autor sênior do estudo e professor da Universidade de Maastricht, em comunicado.
Segundo o pesquisador, o consumo diário de amendoim afetou positivamente a resposta à insulina em regiões cerebrais relacionadas à memória. Ele ressalta que essa resposta pode contribuir para os benefícios cognitivos associados ao alimento.
Outros efeitos observados em pesquisas
Os resultados também complementam um estudo anterior, publicado em 2025 na revista Clinical Nutrition. Na ocasião, os pesquisadores observaram que o consumo de amendoim durante 16 semanas esteve associado a um aumento de 3,6% no fluxo sanguíneo cerebral e a uma melhora de 5,8% no desempenho da memória verbal.
O fluxo sanguíneo cerebral corresponde à quantidade de sangue que circula pelo órgão, levando oxigênio e nutrientes às células.
Os cientistas ainda investigam quais componentes do alimento podem explicar os resultados. Entre os possíveis responsáveis estão as gorduras insaturadas, as fibras, as vitaminas, os minerais e os compostos bioativos. O amendoim também contém L-arginina, substância usada pelo organismo na produção de óxido nítrico, que participa da regulação dos vasos sanguíneos.
Apesar dos resultados, o estudo foi realizado com um grupo pequeno de adultos saudáveis e avaliou os efeitos de uma intervenção alimentar por 16 semanas. São necessárias outras pesquisas para entender se os benefícios observados se mantêm em outros grupos e por períodos mais longos.
Fonte: Metrópoles










