O britânico e assistente social Matthew Spicer tinha 31 anos e estava a cinco semanas de se casar quando descobriu um câncer no sangue em estágio avançado, em agosto de 2023. Antes do diagnóstico, ele havia percebido caroços na glande, a cabeça do pênis, e sentia vergonha de procurar um médico para investigar a alteração.

Os nódulos estavam entre os sinais que antecederam a descoberta de um linfoma difuso de grandes células B em estágio quatro. A doença se origina em células do sistema de defesa do organismo.

Segundo Matthew relata em suas redes sociais, os médicos inicialmente suspeitaram que os caroços fossem glândulas da pele aumentadas ou obstruídas, uma alteração geralmente inofensiva. Porém, outros sintomas apareceram, como fortes enxaquecas, cansaço intenso, até que os exames revelaram o linfoma.

“Não sabia como me sentir. Fiquei paralisado”, relatou. A quimioterapia começou na semana seguinte, enquanto ele e a companheira, Beth, precisavam reorganizar os planos para o casamento.

O que é o linfoma difuso de grandes células B ?

De acordo com um protocolo do Ministério da Saúde, o linfoma difuso de grandes células B integra o grupo dos linfomas não Hodgkin agressivos. Ele pode atingir os linfonodos, estruturas que participam da defesa do organismo, e outras regiões, como a pele, os ossos e o trato gastrointestinal.


Os principais pontos para compreender o diagnóstico são:

  • Origem da doença: o câncer envolve os linfócitos B, células do sistema imunológico.
  • Confirmação: depende de uma biópsia do tumor e de análises que identificam as características das células.
  • Estágio quatro: indica o comprometimento disseminado ou em múltiplos locais de órgãos fora do sistema linfático, podendo também envolver linfonodos.
  • Avaliação da extensão: exames como tomografia ou PET-CT ajudam a identificar as regiões atingidas.

Tratamento e o retorno do câncer

Com o início da quimioterapia e o comprometimento da imunidade de Matthew, o casal substituiu a grande festa por uma cerimônia íntima, com familiares próximos.

Ele recebeu seis ciclos de quimioterapia R-CHOP, seguidos por dois ciclos de metotrexato. Em janeiro de 2024, entrou em remissão, e os preparativos para uma celebração maior foram retomados.

Cerca de seis meses depois, porém, Matthew percebeu pequenos nódulos na região do trapézio, entre o pescoço, os ombros e a parte superior das costas. “Tentei me convencer de que era um nódulo muscular e algo relacionado ao exercício”disse.

A investigação confirmou que o câncer havia retornado, novamente poucas semanas antes da festa remarcada. O casal adiou os planos mais uma vez, enquanto Matthew passou por nova quimioterapia e pela terapia CAR-T, que utiliza células de defesa do próprio paciente para reconhecer e atacar o câncer.

Transplante e uma nova remissão

Após uma breve remissão, um exame de rotina voltou a detectar a doença em abril de 2025. Em setembro daquele ano, Matthew recebeu um transplante de células-tronco de um doador, na tentativa de alcançar uma resposta duradoura.

Um ano após o procedimento, ele continua em remissão. Aos 34 anos, permanece em acompanhamento, com exames de rotina, infusões de imunoglobulina e aplicações adicionais de células do doador.

Atualmente, ele e Beth desejam viajar e formar uma família. Matthew também apoia uma campanha da organização Lymphoma Action para incentivar conversas sobre a doença. “Uma das lições mais importantes que aprendi com o diagnóstico é esta: não ignore os sinais que seu corpo lhe dá”.

Fonte: Metrópoles